I’ll be there for you.

23 04 2008

Tem coisas que você lê em novelas e acaba incorporando a sua forma de perceber a vida. Sempre gostei de um recurso narrativo que o Stephen King usava para antecipar mudanças. Ou que alguns filmes usam para antecipar… um grande acontecimento ou algo do tipo. Alguém está em um carro, digamos um táxi, exausto, ou simplesmente cansado, pensando nas tarefas que ainda tem que fazer e, oh céus, já são oito e trinta e nove da manhã e você ainda não dormiu nada. Na verdade, está sem dormir há trinta e duas horas, o rádio diz alguma coisa no fundo da cena, você escuta um pouco sem muito interesse, algo sobre a nebulosidade aumentar na capital baiana nos próximos dias.

Pronto…: O autor encaixa aí mais um punhado de ações cotidianas ou que tenham uma função para os próximos capítulos da novela, esconde uma ou outra motivação de personagens ali no tecido da fábula, conta sobre a tarde confusa do personagem principal, digamos, tentando arduamente realizar as suas tarefas rotineiras, eventualmente sendo empurrado pelos fatos para fora do caminho costumeiro e vai, e segue, etc, consegue alguma satisfação na aula ao participar de uma discussão eficaz sobre algum ponto indefinido da interpretação dos escritos sobre a estética tal como entendida pela filosofia alemã (…) blá blá blá.

A noite, chove, chove forte contra sua janela. Lá estava no início do dia do personagem a antecipação, a introdução do motivo da nebulosidade, depois vem chuva. E se algo muda, por sobreposição de imagens, algum fato toma nova dimensão, ou algo acontece, e o leitor está preparado, mesmo que não perceba, para se emocionar com o que acontece.

Chove agora.

E estou com muito sono, mas feliz.


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